A partir do segundo
semestre de 2010 comecei a observar que a visão que eu tinha sobre meu bairro
estava mudando. Não conseguia mais me
identificar com aquele conservadorismo ali presente em relação aos hábitos e
principalmente a maneira de pensar. Ao olhar para trás no tempo, conclui que as
gerações anteriores a minha sempre faziam a mesma coisa (no que se refere à
transição para a vida adulta) em relação às antecessoras e que nada modificava
esse processo. O argumento de Anthony Giddens que conheci na minha graduação
descreve bem esse cenário:
“Nas sociedades
tradicionais, o passado é venerado e os símbolos são valorizados porque contêm
e perpetuam a experiência das gerações. A tradição é um meio de lidar com o
tempo e o espaço, inserido qualquer atividade ou experiência particular na
continuidade do passado, presente e futuro, os quais, por sua vez, são
estruturados por práticas sociais recorrentes.” (Giddens, 1990, pp37-8).
Talvez o único
fato que diferenciava a minha geração era um maior acesso a informação graças
ao desenvolvimento de tecnologias da informação e principalmente o advento da
internet. Com essas ferramentas em mãos passei a enxergar aquele local e
aquelas pessoas como extremamente limitadas. O mundo existente lá fora, que
chegava até mim através de uma tela, me parecia algo que melhor oferecia aos
indivíduos as condições de desenvolverem suas potencialidades como seres humanos.
Posteriormente a isso meu desejo foi de tentar
compreender aquela situação juntamente com um desejo que crescia dentro de mim
de deixar o local que tinha nascido.