Nasci
e vivi durante quase toda minha vida em uma cidade pequena. Como esse fato por
si só não teria muita influencia na personalidade que eu iria adquirir, os
bairros da minha cidade natal ficam muito afastados um dos outros por conta da geografia
do local. Logo, as características sociais que influenciariam o tipo de pessoa
que eu iria torna-me estavam extremamente restritas naquele determinado espaço.
A homogeneidade que eu observava nos comportamentos e nas formas de pensar das
pessoas ali estabelecidas me levava a crer que a identidade de cada um
(incluindo a minha) era única e formada apenas dos elementos presente no local.
Essa
visão da identidade se assemelha com a antiga visão iluminista como afirma
Stuart Hall:
“O sujeito do iluminismo estava
baseado numa concepção da pessoa humana como um indivíduo totalmente centrado,
unificado, dotado das capacidades da razão, de consciência e de ação, cujo
“centro” consistia num núcleo interior, que pela primeira vez quando o sujeito
nascia e com ele se desenvolvia, ainda que permanecendo essencialmente o mesmo
– contínuo ou ‘idêntico’ a ele – ao longo da existência do indivíduo.”
Entretanto,
quando eu entrei no ensino médio e fui ficando mais velho minha percepção sobre
o local que tinha crescido começou a se modificar e fiquei surpreso quando essa
nova percepção modificou a maneira como eu enxergava a mim mesmo.
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