segunda-feira, 18 de agosto de 2014

No início...

Nasci e vivi durante quase toda minha vida em uma cidade pequena. Como esse fato por si só não teria muita influencia na personalidade que eu iria adquirir, os bairros da minha cidade natal ficam muito afastados um dos outros por conta da geografia do local. Logo, as características sociais que influenciariam o tipo de pessoa que eu iria torna-me estavam extremamente restritas naquele determinado espaço. A homogeneidade que eu observava nos comportamentos e nas formas de pensar das pessoas ali estabelecidas me levava a crer que a identidade de cada um (incluindo a minha) era única e formada apenas dos elementos presente no local.
Essa visão da identidade se assemelha com a antiga visão iluminista como afirma Stuart Hall:
“O sujeito do iluminismo estava baseado numa concepção da pessoa humana como um indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades da razão, de consciência e de ação, cujo “centro” consistia num núcleo interior, que pela primeira vez quando o sujeito nascia e com ele se desenvolvia, ainda que permanecendo essencialmente o mesmo – contínuo ou ‘idêntico’ a ele – ao longo da existência do indivíduo.”

Entretanto, quando eu entrei no ensino médio e fui ficando mais velho minha percepção sobre o local que tinha crescido começou a se modificar e fiquei surpreso quando essa nova percepção modificou a maneira como eu enxergava a mim mesmo.

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