quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Um novo pensamento

A partir do segundo semestre de 2010 comecei a observar que a visão que eu tinha sobre meu bairro estava mudando.  Não conseguia mais me identificar com aquele conservadorismo ali presente em relação aos hábitos e principalmente a maneira de pensar. Ao olhar para trás no tempo, conclui que as gerações anteriores a minha sempre faziam a mesma coisa (no que se refere à transição para a vida adulta) em relação às antecessoras e que nada modificava esse processo. O argumento de Anthony Giddens que conheci na minha graduação descreve bem esse cenário:
            “Nas sociedades tradicionais, o passado é venerado e os símbolos são valorizados porque contêm e perpetuam a experiência das gerações. A tradição é um meio de lidar com o tempo e o espaço, inserido qualquer atividade ou experiência particular na continuidade do passado, presente e futuro, os quais, por sua vez, são estruturados por práticas sociais recorrentes.” (Giddens, 1990, pp37-8).
            Talvez o único fato que diferenciava a minha geração era um maior acesso a informação graças ao desenvolvimento de tecnologias da informação e principalmente o advento da internet. Com essas ferramentas em mãos passei a enxergar aquele local e aquelas pessoas como extremamente limitadas. O mundo existente lá fora, que chegava até mim através de uma tela, me parecia algo que melhor oferecia aos indivíduos as condições de desenvolverem suas potencialidades como seres humanos.

            Posteriormente a isso meu desejo foi de tentar compreender aquela situação juntamente com um desejo que crescia dentro de mim de deixar o local que tinha nascido.

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